Feitiço no picarnel

APL 29

Aconteceu comigo. Riem-se? Dizem que não há coisas? Hã!... Eu nunca fui assustado. Foi comigo e com o Armindo. Uma ocasião lançámos uns pardelhos no rio Barosa e viemos a casa cear. Comemos e voltámos ao rio para guardar as redes. Chegámos a um sítio que chamam Areal, junto ao rio. Do outro lado havia dez picarnéis. Queríamos levar os cobertores para um deles onde íamos descansar. Tínhamos que atravessar para a outra banda por um fragão que lá há por ali fora... É o passas!... Tivemos que voltar para trás porque eram tantas pedradas que não nos deixavam passar. Então, voltámos para trás. Púnhamo-nos a olhar para todos os lados e as pedradas paravam. Aconteceu assim três vezes. Pegámos então nos cobertores e viemos ao Poço do Inferno. Tínhamos lançado os pardelhos dali até ao Poço do Simbol. Fomos ver se alguém os tinha tirado mas estava tudo no sítio. Viemos para baixo e já pudemos passar. Ninguém nos atirou pedras. Fomos para o tal picarnel dormir um bocadito. Lá pendurámos as armas num pau onde os moleiros costumam pendurar as taleigas vazias. Quando eram por aí umas cinco e meia da manhã, as armas.., já nenhuma! Nisto chega um homem que tinha aquele picarnel alugado. Foi abaixo, ao rodízio e estavam lá as armas cruzadas. Isto é que foi verdade!


Picarnel — Moinho de água
Pardelhos — Redes de pesca fluvial

Fonte Biblio CAMPOS, Beatriz C. D. Tarouca, Folclore e Linguística Tarouca, Câmara Municipal de Tarouca / Escola Preparatória de Tarouca, 1985 , p.26

Place of collection-, TAROUCA, VISEU

InformanteFrancisco Saraiva Pereira (M), - (TAROUCA) VISEU,

Narrativa

When XX Century, 80s

CrençaConvinced Belief

Classifications