Fraga de João Fernandes

APL 3122

Havia ali uma fonte onde uma mulher ia todos os dias e achava sempre um tanto de dinheiro depositado. Ao aparecer com o dinheiro em casa, o marido perguntava-lhe de onde o trazia e ela dizia:
— Vou a tal fonte e o dinheiro está lá sempre.
O marido, achando aquilo estranho, começou a desconfiar dela, pensando que andasse metida com algum sujeito que lho dava. Resolveu, por isso, ir espreitar a mulher. E viu então que era verdade, o dinheiro estava lá. Veio, por isso, embora todo satisfeito, sem a mulher dar conta.
Neste entretanto, quando ela pegou no dinheiro para se vir embora, aparece-lhe uma grande cobra, com cabelos de mulher, compridos, e a falar-lhe:
— Não tenhas medo, que eu sou uma mulher como tu, mas estou aqui encantada nesta figura. Se quiseres, podes desencantar-me e eu faço-te muito rica. As moedas que aqui te deixo são só uma pequena amostra do que posso dar
— E que tenho de fazer? — perguntou a mulher.
— Só tens de me dar dois beijos na cara, um de cada lado. Mas não te arrepies! Se não, estragas tudo.
— Pronto. Então anda lá — concordou a mulher.
Só que, mal foi para se lhe chegar á cara, a mulher arrepiou-se. E gritou:
— Ai santo nome de Jesus, que eu tenho-te medo!
Estragou tudo.
— Ah, maldita, que à tua conta vou ficar nesta figura mais 100 anos! — disse-lhe por fim a cobra, desaparecendo da sua vista.
E, por isso, lá continua encantada. E a mulher nunca mais viu dinheiro nenhum.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010 , p.222

Ano2010

Place of collection Assares, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteJúlia de Fátima Serapicos (F), 52 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications