Lenda da Baixa das Sete Marias

APL 1424

As lapas eram um marisco muito abundante e muito apreciado em todas as ilhas dos Açores. Nas Flores e em outras ilhas era hábito as mulheres irem em grupos apanhar os saborosos mariscos e esse tempo que passavam a saltar de rocha em rocha era sentido como um momento de diversão e não como um trabalho.
 Um dia, sete raparigas das Lajes das Flores, todas com o nome de Maria, juntaram-se e, quando a maré estava a vazar, dirigiram-se para uma baixa que costumava ter muitas lapas e que ficava por fora do Mosteiro.
 O mar estava manso e começaram a apanhar lapas. Sentiam debaixo dos pés as rochas ora macias e escorregadias porque cobertas de limos verdes ou vermelhos como telha, ora ásperas e tão bicudas que magoavam os pés. De vez em quando, a água salgada de uma pequena onda respingava e, com o sabor a sal, faziam caretas e arrepiavam-se com os pingos frios. Iam falando e rindo, divertidas.
 Num certo lugar a água fazia um vião e afastaram-se dali. Mas a baixa era de rampa e uma das raparigas, que escorregou sobre os limos, caiu à água neste lugar mais perigoso. Vendo-a aflita, as companheiras, nervosas e açareladas precipitaram-se para a salvar. O mar puxava muito e umas atrás das outras foram desaparecendo, sugadas pelo remoinho de água, sem que nenhuma se salvasse ou aparecesse mais.
 As famílias e os vizinhos choraram uma tragédia que nunca puderam esquecer. Durante muitos anos ninguém se atreveu a voltar às lapas àquele lugar onde as sete raparigas morreram e passaram a chamar-lhe Baixa das Sete Marias.
 O nome ficou e ainda hoje, passados tantos anos, é esse o nome por que os marítimos das Flores conhecem aquela baixa da ilha das Flores.

Fonte Biblio FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.273-274

Place of collection Lajes Das Flores, LAJES DAS FLORES, ILHA DAS FLORES (AÇORES)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications