Lenda da Fraga da Pindura

APL 3700

No termo de Felgar, há uma fraga a que chamam a Fraga da Pindura. E então um senhor qualquer sonhou lá com uma moura encantada. E sonhou que ela lhe dava dinheiro. Resolveu, por isso, ir lá, e quando lá chegou apareceu-lhe uma cobra muito grande. O homem hesitou, e ia já a começar a fugir, quando ouve uma voz que lhe diz:
    — Não fujas, senão dobras-me o encanto!
    Ele enfrentou a cobra, a cobra beijou-o e logo se desfez na figura duma moura. E diz-lhe então:
    — Olha, tu agora não precisas de trabalhar, nem de fazer nada. Quando quiseres dinheiro, vens aqui à Fraga da Pindura, metes a mão aqui nesta fincha, e, todas as vezes que cá vieres, sai-te sempre uma moeda, ou duas, ou três.
    Não sei já a quantidade que era.
    Então o gaijo assim fez. Quando precisava de dinheiro, ia lá e saíam-lhe sempre aquelas moedas que ela lhe tinha dito. E desde então ele fazia ali uma vida de lorde no Felgar. Jogava, comia, bebia, e não trabalhava. A gente estava ali toda abismada. De onde é que lhe viria o dinheiro?
    Num dia qualquer, foi p’rá taberna a jogar o chincalhão. Lá bebeu um copito a mais, e, quando estava a perder, os outros disseram-lhe:
    — Hoije em vez de ganhares, perdes. Já perdeste aqui umas c’roas boas!
    E ele, enraivecido, ao ver sair-lhe um cinco de ouros, disse:
    — Troco! Vale seis! Enquanto a Fraga da Pindura o der, não há problemas. Não falta dinheiro!
    Ao outro dia, porque tinha perdido e precisava de dinheiro, foi lá à Fraga da Pindura. Meteu lá a mão e já não saiu moeda nenhuma. Como tinha descoberto tudo, nunca mais tirou lá dinheiro nenhum.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.330-331

Ano1999

Place of collection Felgar, TORRE DE MONCORVO, BRAGANÇA

InformanteAntónio dos Santos Dias (M), 65 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications