Lenda da freguesia de Santo António

APL 1255

Há uns séculos atrás, havia na costa norte da ilha de S. Miguel, entre as Capelas e Santa Bárbara, uma freguesia com o nome de Rosário. Os seus habitantes viviam principalmente a trabalhar as terras, mas alguns tiravam do mar o sustento da família.
 Um certo dia, um desses pescadores, homem humilde e bom, foi para a sua faina habitual. Estava a lançar as redes ao mal; quando, casualmente, reparou que ao longe, perto dos calhaus, sobre a água estendida como um lençol, boiava um objecto que brilhava à luz do sol.
 Ficou muito intrigado e, sem sequer imaginar o que iria encontrar, logo que pôde, aproximou-se do objecto. Viu que se tratava de uma pequena imagem de Santo António. Agarrou-a e voltou para terra, muito contente. Naqueles tempos, uma prancha de madeira ou um simples garrafo, encontrados no mar, eram preciosidades, tanto mais uma imagem.
 Dirigiu-se à igreja do Rosário, mostrou ao padre a imagem e contou o que lhe tinha acontecido. A notícia espalhou-se depressa e chegou aos campos onde os homens ceifavam o trigo maduro e à fonte onde as mulheres lavavam e coravam a roupa ao sol quente de Julho.
 As pessoas entenderam o facto do aparecimento da imagem como um sinal de Deus e a vontade de Santo António de que aquela pequena freguesia recebesse o seu nome.
 Assim aconteceu. A freguesia do Rosário passou a chamar-se de Santo António e na igreja foi colocada a imagem do santo, tendo aí permanecido até há bem pouco tempo. Hoje, já lá não se encontra porque foi roubada por alguém que certamente nem conhecia a sua história.

Fonte Biblio FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.80-81

Place of collection Santo António, PONTA DELGADA, ILHA DE SÃO MIGUEL (AÇORES)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications