Lenda da Moura de Pêra

APL 2671

Numa povoação perto de Pêra, existe uma horta que tem um tanque e uma nora. Perto desse tanque estão enterrados, portanto, objectos muito valiosos. Conta-se, segundo essa senhora, que naquele mesmo lugar, já há algum tempo, um rei mouro encantou, em forma de serpente, uma filha sua e que deixou como guarda dessa serpente um carneiro. Segundo o povo dali, das pessoas daquela zona, a causa do rei ter encantado a sua filha na forma de serpente, foi o facto de ela [se] ter negado a casar com um senhor mais idoso do que ela, e segundo consta, é irmão do seu pai, ou seja, era seu tio. O rei mouro ficou muito desgostoso da filha não lhe ter obedecido e, depois de a ter encantado na forma de serpente, lançou tipo um encanto que ela ia ficar naquela forma de serpente até que uma pessoa se lembrasse de apanhar um rouxinol que, desde aquele dia, fosse cantar, à noite, na noite da véspera de S. João, na árvore que se encontra em frente ao tanque. Desde esse encantamento da moura, tem cantado segundo os habitantes, um rouxinol todas aquelas noites nas árvores que estão em frente à horta.
Diz-se que o tio da moura encantada é o tal carneiro que a guarda [e] o rouxinol é o namorado preferido pela moura. Logo no início, muitos rapazes tentaram apanhar o dito rouxinol, mas hoje em dia já ninguém acredita muito nesta história, dizem que nunca mais souberam nada da moura, mas que, no entanto, as pessoas ainda temem que essa moura apareça um dia.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2006

Place of collection Pêra, SILVES, FARO

InformanteBruna Cristina Pinheiro (F), 18 y.o., born at Armação De Pêra (SILVES) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications