Lenda de s. sebastião em janeiro de cima

APL 585

Cerca do ano de 1757-58, a população de Janeiro de Cima foi assolada por uma forte epidemia, devido à qual sucumbiu uma grande parte do número de habitantes de então. As mortes eram em tão grande escala e o medo que a epidemia se alastrasse era de tal ordem, que muitas vezes as pessoas ainda não haviam morrido completamente, e já as estavam a enterrar. Segundo a lenda a perda de vidas teria sido maior se não tivesse sido a divina interferência de S. Sebastião. A história que passou de geração em geração, é esta: Os Janeirenses ao verem dia a dia a sua população diminuir, decidiram recorrer a S. Sebastião advogado das pestes, guerras e epidemias, pedindo que os ajudasse. Como não tinham a imagem do mártir, pediram-na à aldeia vizinha, Janeiro de Baixo. Mas as habitantes de Janeiro de Baixo, receando que a epidemia se alastrasse para o outro lado do rio, não permitiram que os habitantes de Janeiro de Cima fossem à sua aldeia buscar o Santo. Na manhã seguinte, vieram eles mesmos, de madrugada, colocar o Santo na margem esquerda do rio, partindo imediatamente tal era o seu medo. Como o Santo afastou a peste, os Janeirenses cumpriram o que lhe haviam prometido: construíram-lhe uma capela e compraram uma imagem do Santo, celebrando no dia 20 de Janeiro de cada ano a sua festa. Nessa festa lá Janeirenses oferecem 100 pães e 5 litros de vinho começando-se a dádiva no cimo da aldeia e dando o volta completa. A festa ou tradição, mantém-se ainda hoje, oferecendo os Janeirenses este boda, pão e vinho, a quem se encontrar no local. Esta é uma das tradições mais pitorescas desta aldeia.

Fonte Biblio MOURA, José Carlos Duarte Contos, Mitos e Lendas da Beira Coimbra, A Mar Arte, 1996 , p.35

Place of collection Janeiro De Cima, FUNDÃO, CASTELO BRANCO

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications