Lenda de Santo Isidoro

APL 3063

Contam as gentes que um dia bem longe no passado, já o santo patronava naquelas paragens, o trigo morria nos campos, à míngua das chuvas que o céu se não decidia enviar. Desesperados, os aldeões procuravam a ajuda do seu orago, prometendo-lhe logo ali que, se o maravilhoso dourado das espigas voltasse a ondular nos campos quase secos, fariam uma festa de arromba, distribuindo aos quatro ventos parte da desejada colheita. Adiantando a promessa, levaram a imagem do santo em procissão por toda a localidade, como quem leva o senhorio a ver a sua casa. Por fortuito acaso ou – quem sabe? - porque nesses tempos os milagres aconteciam, mal o piedoso cortejo devolvia o santo ao seu retiro as primeiras chuvas ensoparam a terra.
    A colheita desse ano seria tão grande que as arcas se encheram, as mesas se cobriram. O ‘pão nosso de cada dia’ chegara, enfim. E tanto era que a festa não foi esquecida. Abril, ao quarto dia, tornou-se data de festejos em Santo Isidoro – [a Festa dos Merendeiros].

(José Antunes, O Milagre de Santo Isidoro, in Eles e Elas, 15 Jun. 1984).

Fonte Biblio CAETANO, Amélia "Lendário Mafrense" in Boletim Cultural '93 Mafra, Câmara Municipal de Mafra, 1994 , p.272

Ano1984

Place of collection-, MAFRA, LISBOA

ColectorJosé Antunes (M)

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications