Lenda do Castelo de Algoso

APL 3752

Conta-se que o castelo de Algoso, no concelho de Vimioso, foi habitado por um rei mouro que usava de grande tirania sobre as povoações da zona. Com ele vivia uma filha que se enamorou de um fidalgo cristão, tendo ela própria auxiliado os cristãos quando estes tentaram reconquistar o castelo.
    Os cristãos conseguiram assim levar de vencida o rei mouro. Porém este logo descobriu a traição da filha. E por isso, como castigo, encantou-a na figura de uma serpente, deixando-a nos subterrâneos do castelo a guardar um valioso tesouro. Ele, entretanto, tratou de fugir por uma mina que lá havia, na esperança de voltar um dia para reaver o seu tesouro.
    Diz o povo que esta mina entra pelo monte da Penenciada adentro, e que, em noites de S. João, tem sido vista uma donzela muito linda com os cabelos soltos, a chorar, sentada sobre uma fonte ali situada, e que desaparece aos primeiros alvores da madrugada, aparecendo no seu lugar uma enorme serpente com uma grande cabeleira, a rastejar, a rastejar, até que desaparece também. Por esta razão não há quem se atreva a entrar dentro da mina e a procurar o tesouro que lá existe.
    A fonte é conhecida pelo nome de “Fonte de S. João Baptista” e o povo reconhece-lhe poder na cura de certos males. Por isso é alvo de muitas romarias especialmente no dia de S. João. Ao lado há uma capela dedicada a este santo.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.367-368

Ano2001

Place of collection Algoso, VIMIOSO, BRAGANÇA

InformanteAntónio Augusto Fernandes (M), 72 y.o.,

Narrativa

When

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications