Lenda do precipício

APL 2319

Informante: Então, isto é mesmo cá em Portugal, diz que é em Nazaré. Foi-me contado por várias pessoas que existia e diz que pronto, muitas pessoas que vão lá, que as pessoas lá contam logo a lenda que realmente existiu. Foi então um senhor que andava sempre na caça e um dia ia a cavalo para caçar e então a caça ia a fugir à frente dele, não sei o quê… se era coelho se era o quê… então ia sempre… mas ele desconhecia aquele sitio, ele não conhecia aquela zona, onde o bicho ia sempre fugindo, fugindo ele atrás com o cavalo e então ele ia numa grande galopada com o cavalo, onde ele chega lá em frente, uns metros à frente havia e há um grande precipício, enorme. Ele não sabia que existia e com a velocidade que ele ia atrás do animal, ele ia lá cair no precipício, mas apercebeu-se tão depressa como uma luz, diz que foi como uma luz que lhe iluminou e que ele diz que conforme viu o precipício à frente pensou que ia morrer, que ia cair lá dentro, o cavalo não ia conseguir parar a tempo. E então, diz que gritou pela nossa senhora e diz que nisto se apresentou na frente dele a imagem da Nossa Senhora. Ele fechou os olhos e o cavalo conseguiu parar mesmo na berma do precipício. E então, diz que ficou lá as patas do cavalo marcadas ali e nunca mais saiu. E diz que até mesmo aquele relinchar do cavalo quando estava a querer parar que de quando em quando, as pessoas diz que ouviam.
Colector: As pessoas lá do sitio da Nazaré?
Informante: Do sitio, sim. Diz que ouviam o relinchar do cavalo ali naquele sítio e as patas, o desenho das patas dali, nunca mais saiu, ficou ali fixo no coiso… portanto, o senhor depois contou isso e diz que lá é muito contada [a lenda].
Colector: O senhor, a pessoa que lhe contou?
Informante: A pessoa que lhe aconteceu! Porque o senhor não morreu, o senhor foi salvo. E a pessoa depois própria que aconteceu contou o acontecimento. E então diz que todas as pessoas que vão lá a Nazaré que são logo informadas com esta lenda que aconteceu lá e vão a esse sítio visitar. Eu desconheço, porque ainda lá não fui, mas as pessoas que me têm contado conhecem.  

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2007

Place of collection Nazaré, NAZARÉ, LEIRIA

ColectorVânia Fernandes (F)

InformanteMaria Fernandes (F), 42 y.o., born at Monte Gordo (VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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