Lobisomem

APL 2433

A nossa família é muito grande, pronto. E eu tinha... já morreu, uma prima irmã que eu nunca conheci. Mas os meus avós contavam... A minha mãe contava. Que ela teve um menino, e o menino chorou dentro da barriga dela, e o menino saiu lobisomem. E a mãe achava estranho do filho à meia-noite se ir embora e regressar às 4 da manhã. E a mãe um dia foi e descobriu o que é que o filho era, e quando o filho, antes do filho regressar, eles põem-se todos nus, ficam em burro! Tanto eles como elas. Ela pega na roupa dele e mete dentro dum forno de cozer pão. É lá para o Alentejo, esta história é do Alentejo, eu sou alentejana. E quando chegou aquela hora ele veio para querer matar a mãe. Mas era assim, enquanto a roupa ardia ele dava uns grandes urras. E só depois dele dizer à mãe: mãe abre a porta que eu já não te faço mal. A mãe abriu-lhe a porta e aquilo foi-se embora, nunca mais ele foi lobisomem.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2008

Place of collection Almodôvar, ALMODÔVAR, BEJA

ColectorPaula Morgado (F)

InformanteMaria Emília (F), 49 y.o., born at Almodôvar (ALMODÔVAR) BEJA,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications