Lumiar

APL 2293

Conta-se que, quando D. João V passava pelo Campo Grande, encontrava sempre um pobre velho, que pretendia entregar-lhe um memorial.
 O rei magnânimo, porém, não se dignava atender o suplicante. Um dia, um fidalgote da sua camarilha disse-lhe que o pobre homem apenas pretendia dizer-lhe duas palavras, ao que D. João V acedeu ordenando, contudo, que o pobre não fosse além da concessão, isto é, só duas palavras proferisse.
 O desgraçado, que vivia num mísero cubículo onde tudo faltava, forçado a só dizer duas palavras, balbuciou:
 — Enregelo, asfixio.
 Ao que o rei, sem tomar na devida conta o respeito pela desgraça humana, retorquiu:
 — Lume e ar.
 Daí em diante, o pobre homem repetia sem cessar a resposta seca de D. João V. a ponto de as palavras régias darem o nome ao local, que se ficou assim chamando Lumiar.

Fonte Biblio VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p.841

Place of collection Lumiar, LISBOA, LISBOA

Narrativa

When

CrençaUnsure / Uncommitted

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