Mão fria (mão de ferro)

APL 1626

Isto sucedeu, há poucos dias, para os lados de Santo Amaro. Havia uma boda, parece, em Santo Amaro e foi convidada uma cunhada da dona da casa para vir cozinhar. Tendo de retirar-se de noite, o dono da casa acompanhou-a para a dela; mas, chegando ao sítio da Madalta, onde havia uma poça, viu uma sombra que não era de gente aproximar-se da mulher e esta assustou-se. O homem perguntou-lhe o que tinha sucedido, mas ela respondeu: “não foi nada, não foi nada”. Mas, chegando a sua casa, não quis ver luz, e disse ao homem que a acompanhara que não fosse pelo mesmo sítio. O homem porém teimou e foi. Chegando ao sítio da poça sentiu duas bofetadas na cara dadas com uma mão tão fria, que parecia de ferro; e tanto se assustou, que se meteu na cama e no dia seguinte mandou vir um médico. Mas ao segundo dia estava morto. Comenta o povo que se ele mandasse apagar as luzes quando entrou, e em vez de chamar o médico (o que é só bom para dar cabo da gente nestas condições) usasse dos remédios dados por uma adivinhadeira, não teria talvez perigo. Foi o homem que contou o caso; e a mulher só contou depois que também as levara, mas que não quisera dizer nada ao companheiro, para lhe não meter medo, avisando-o contudo que não passasse pelo mesmo caminho.

Fonte Biblio SARMENTO, Francisco Martins Antígua, Tradições e Contos Populares Guimarães, Sociedade Martins Sarmento, 1998 , p.116

Place of collection-, GUIMARÃES, BRAGA

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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