Nossa Senhora da Arrábida

APL 3353

O famoso Sanctuario de Nossa Senhora da Arrabida, teve (segundo a lenda) a origem seguinte:
    No anno do nascimento de Jesus Christo, foi vista d’esta serra uma estrella de refulgentissima luz, egual á que então brilhou em toda a Hespanha. (Manuel de Faria, Europa, tomo 1.º, parte 2.ª, cap. 16.)
    Como este facto coincidisse com o nascimento do Redemptor, os christãos, muitos annos depois, consagraram esta serra á Santissima Virgem.
    Pelos annos 1215, reinando em Portugal D. Affonso II, se dirigia a Lisboa uma nao ingleza. O mar estava embravecido, e era uma noite escurissima; pelo que a nao, perdendo o rumo, estava a ponto de se despedaçar contra os rochedos da serra da Arrabida.
    Vinha a bordo um religioso agostiniano, chamado Hildebrando, que era capellão da nao, ou de um fidalgo que vinha de passagem, chamado D. Bartholomeu.
    Trazia o religioso, no seu beliche, uma imagem de Nossa Senhora, e vendo-se em tamanho perigo, foi buscal-a, para que toda a tripulação a exorasse pedindo-lhe o salvamento; mas não a achou, o que lhe causou grande terror, bem como a toda a marinhagem. Ajoelharam todos, pedindo entre lagrimas, á Santissima Virgem, que os livrasse de tão grande aflicção.
    Viram então na encosta da serra que olha para o mar (S.) uma brilhante cruz, que alumiava tudo, como se fosse claro dia, podendo assim a nao salvar-se do perigo imminente; porque no mesmo momento applacou o furor das ondas.
    Fundearam até pela manhan, e então foram ao sitio em que tinham visto brilhar a milagrosa cruz, o religioso e os principaes tripulantes da nao.
    Em logar da cruz, viram a imagem da Senhora, que frei Hildebrando havia tido no seu camarote. Entenderam que a Senhora queria ser adorada n’este sitio, e por uso todos subscreveram com esmolas para que, com licença do bispo de Lisboa, aqui se edificasse uma ermida, o que logo teve effeito. Construiram tambem um aposento para o religioso e para D. Bartholomeu, que o quiz acompanhar n’aquella asperrima solidão.

Fonte Biblio PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo VI, pp. 170-171

Place of collection-, SETÚBAL, SETÚBAL

Narrativa

When XIII Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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