O baile das bruxas no vale de botas

APL 456

Há uma encruzilhada logo ali em baixo, quando se vai para o Vidigal, no sítio que se chama Vale de Botas, onde as bruxas e os bruxos faziam uns grandes bailes. P’ra bailar despiam-se e andavam por lá brincando em pelote, às baselgadas uns com os outros.
 Muita gente, quando ia a passar por ali, assim que chegavam lá próximo fugiam, apanhavam medo e fugiam.
 E havia dois gajos que eram cabreiros, usavam umas fundas para jogar pedras e começaram a pensar vamos os dois, vamos os dois lá. Eram assim a modos mais firmes. E vamos e vamos e daí, foram. Levavam umas pedras com umas fundas, é que uma pedrada duma funda é cum’um tiro.
 Era às sextas feiras de lua nova que as bruxas faziam os baile, lá p’rá meia noite. Berrava aquilo, que andava tudo numa buzaranha naquela encruzilhada. Elas tinham jogado a roupa, umas p‘ra uma banda, outras p’rá outra, a roupa toda espalhada.
 Eles viram e ficaram espavoridos, eles já estavam era desejando de vir-se embora, com medo delas. Mas lá se afoitaram, vá de meter as pedras na funda, zuniam as pedras, cada bruxa a fugir p’ró seu lado, agarravam-se à roupa, puxavam pela roupa e assim se escramalhou tudo à pedrada.
 Já viu? Olha lá as bruxas... os outros fugiam todos, mas aqueles não fugiram, jogaram-se, não tiveram mêdo e elas safaram-se mesmo despidas.

Fonte Biblio TENGARRINHA, Margarida Da Memória do Povo Lisboa, Colibri, 1999 , p.25

Place of collection Mexilhoeira Grande, PORTIMÃO, FARO

InformanteJoaquim Valmatos (M), born at Mexilhoeira Grande (PORTIMÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaConvinced Belief

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