O cabeço de S. Bartolomeu

APL 3556

Dizia-se antigamente que havia no cabeço de S. Bartolomeu, em Bragança, uma mata com grandes fragas, e a maior delas estava rachada de um lado ao outro. Dizia-se que essa fraga, à meia-noite, costumava abrir-se e sair de lá uma luz e uma cobra a falar.
    — Quem quer entrar? Quem quer entrar?
    Era isto que lhe ouviam dizer, O povo dizia que a cobra era uma moura encantada, mas todos tinham medo de lá ir. Um dia foi lá um homem, a quem chamavam “Maluquinho”, e que dizia que não tinha medo a nada. Dizia que se a cobra lhe falasse, então era mesmo uma mulher e ficava com ela. Outros homens seguiram-no de longe.
    Dizem então que viram a fraga a abrir-se e a engolir o “Maluquinho”. Nunca mais ninguém deu fé dele. Houve quem acreditasse que, ao entrar lá, quebrou o encanto, ficou rico e nunca mais voltou.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.225

Ano2000

Place of collection-, BRAGANÇA, BRAGANÇA

InformanteMaria do Carmo Lopes (F), 39 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications