O Cabrito do Diabo

APL 1540

Os barqueres 'tavem ali até à meia-noite, uma hora, à espera que viesse o p'ssoal, p'a passarem o p'ssoal. Davem-le um ass'bie do lade de lá do rie e eles iem c'o barque e iem buscar o p'ssoal.
Davem-le um ass'bie, ch'gavem lá co barque, num viam ninguém!
- Ai, chamarem-nos e num há cá ninguém!
Tornavem a ir p'áquele lade d'além co barque. Iem otra vez lá pá taberna, tornavem a sintir o ass'bie, tornavem a ir, num havia lá ninguém. Diz assim o otre:
- Agora é que nós vames, até que seja o diabe nós temes qu'o trazer!
E num l'apareceu lá o diabe?!
Quande lá cheguem, passem o barque p'ó otre lade de lá, vêm 'star um cabrite, muite gorde, prete c'ma 'ma 'mora, lá a um cante, assim incantenhade a pé d'ma pedra.
- Dexerames que levávames o diabe, mas inda aqui temes cosa m'lhor có diabe! Levames um cabrite qu'agora vam's-o arranjar e vam's-o comer, p'ó travalhe d'andarames aqui p'a trás e p'a diante.
E era o diabe mesme!
Passarem-no, um barquere escarrapachou-o aqui no pescoce e levava assim no pescoce.
Quande já íem próxime da taberna, dixe que começou a pesar, a pesar, a fazer pese, a fazer pese, a fazer pese; o otre à ad'marse as pernas, à ad'marse-l'as pernas. Era assim:
- Éh pá, tirai-me iste!
Ele qu'ria-ó ditar p'ó chão, mas é qu'ele num saía.
- Óh pá, tirai-me iste qu'eu num auguente já tal pese!
Os otres, tude agarrade p'a le tirar aquile do pescoce e num conseguirem tirar-l'aquile do pescoce! até qu'foi obrigad', ele ditar-se p'ó chão. Quande s'ditou pó chão, é qu'atão aquile deu um berre, d'sapareceu e nunca mai o virem.

Fonte Biblio GOUVEIA, Jorge Contos Populares do Paúl Vila Velha de Ródão, Associação de Estudos do Alto Tejo, 2008 , p.13-14

Ano1990

Place of collection Paul, COVILHÃ, CASTELO BRANCO

ColectorJorge Gouveia (M)

InformanteMaria José Gouveia Sardinha (F), Paul (COVILHÃ) CASTELO BRANCO,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications