O Carneiro

APL 1960

Ua ocasião vinha um home por uma estrada adiéinte e chigou a um ribeiro e encontrou um anho a berrar, e ele dixe:
 — Ai, que carneirinho aqui anda! Hei-de-te levar às costas. E ó despois ele pegou nele às costas e levou-o até à porta da casa dele e chigou lá, e ele ia-o a descer e ele dixe:
 — Desce-me devagar que me num québe-la méija.
 E o home dixe:
 — Vai-te pò Inferno, sume-te que tu é-lo Diabo.
 E aquilo antão foi a fugir fazendo uns estalos muito grandes. (O homem viu que era o Diabo, porque aquilo falou). Depois o homem esteve de cama e até se defumou, mas tornou a sair, parece que para a banda de Amarante, e encontrou, cum licença, ua besta na serra a comer tojo, e ele pegou e assentou-se, e dixe:
 — Tu andas aqui de noute! Pois hei-de ir a cavalo.
 E chegou à porta do indivíduo para casa de quem ele ia e a besta dixe:
 — Olha que esta era a pousa donde tu me levaste da poça para casa: tu levaste-me às costas, e agora trouxe-te eu.

Fonte Biblio VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas I Coimbra, por ordem da universidade, 1963 , p.399-400

Place of collection Baião (Santa Leocádia), BAIÃO, PORTO

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications