O Castanheiro dos Amores

APL 2245

A filha gentil do castelão D. Lopo Soeiro, rico-homem de Viseu — nobre pelos seus pergaminhos e grandemente respeitado pelo valor da sua espada percuciente — e o esbelto cavaleiro D. Martim de Sousa, da Ala dos Namorados, que partia para a guerra a defender o seu país das investidas do audaz Castelhano, abraçavam-se e despediam-se soluçantes junto do Castanheiro dos Amores, na escuridão dessa noite saudosa e à hora em que a treva é mais espessa, e pelo espaço imenso transcorrem os duendes fugitivos. A bela pedia a Martim de Sousa que tão depressa findasse a luta voasse ali aos pés daquela árvore bendita a restituir-lhe a vida que ele levava consigo presa para os campos de Aljubarrota. Martim de Sousa desapertara então o pelote e, colocando sobre o peito a mão trémula da filha de D. Soeiro, disse-lhe: «Por minha fé que voarei para junto de ti; e que neste mesmo lugar nos encontraremos, tanto que pelejarmos essa rude peleja.»
 A batalha pelejou-se, mas o nobre guerreiro é que não voltou mais. Todavia o juramento cumpriu-se: o fantasma do apaixonado cavaleiro apareceu, volvido um ano, alta noite e à mesma hora, no Castanheiro dos Amores, e nunca deixou de vir, em cada aniversário, enquanto a bela castelã não foi juntar-se com ele no Céu. Dava ele sempre três voltas em derredor da árvore sagrada e chamava soluçante pela filha de D. Soeiro.
 Esta árvore lendária, que vegetava junto do muro da vedação que desce do Cruzeiro à Carreira dos Carvalhos, não longe do Paço Espiscopal de Fontelo, secou, mirrou-se, desfez-se em Setembro de 1889.

Fonte Biblio VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p.686

Ano1911

Place of collection-, VISEU, VISEU

InformanteCorreia de Lemos (M),

Narrativa

When XIV Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications