[O Cavalo na Encruzilhada]

APL 1730

Um dia estabamos num café, no lugar da fonte, na Freguesia de Guiães e saímos com destino ao nosso leito. E acontece que paramos todos os quatro no cruzamento de São Sebastião em Guiães.
Estabamos a conversar e, nesse momento, deu meia-noite. Sentimos um cavalo a relinchar num olival no lugar do Valado, Freguesia de Guiães. E o cavalo relinchou, relinchou, relinchou e eu, quando vi qu’ele se estava aproximar da saída pró caminho, disse pr’os outros indivíduos:
- Afastai-vos porque o cavalo vai passar aqui! - e ele tramou-nos, não passou ali, mas virou p’ra outro lado contrário, pró lado direito dele e aí seguiu o caminho dele.
Ficamos boqueabertos, suspensos, não podíamos falar nada uns prós outros, até que eu tomei a iniciativa e perguntei:
- Vocês ouviram?
 Eles disseram:
- Ouvimos, sim, um cavalo a relinchar.
 Ao outro dia, dando continuidade à mesma farsa que se tinha passado, acontece que eu perguntei p’ra um vizinho meu, qu’hoje habita junto de mim:
- Ó Acácio, tu ouviste o cavalo?
 Diz ele:
- Eu não, não ouvi nada!
 E eu disse pró outro:
- E tu, ó Henrique?
 - Eu ouvi.
 E o Sílbio, perguntei-lhe:
- Ó Sílbio, tu não oubistes?
 - Eu ouvi.
 - O que seria aquilo?
 E diz-me o próprio Sílbio:
- Era o lobisomem, aquele “caralho” daquele lobisomem do Zé’bel.

Fonte Biblio AA. VV., - Literatura da tradição oral do concelho de Vila Real s/l, UTAD / Centro de Estudos de Letras (Projecto: Estudos de Produção Literária Transmontano-duriense),

Place of collection Guiães, VILA REAL, VILA REAL

InformanteAntónio Varandas Real (M), 67 y.o., Guiães (VILA REAL) VILA REAL,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications