O cemitério das cruzes

APL 1917

Em tempos que já lá vão, havia um homem que todos os dias se lamuriava porque tinha uma vida muito difícil. Estava sempre a dizer a uns e a outros que a cruz que carregava todos os dias era pesada demais.
 E tanto se queixou, tanto se lamuriou, tanto pediu a Deus que o aliviasse do peso da sua cruz, que num certo dia Nosso Senhor lá lhe apareceu:
 — Então o que é que tu queres? — procurou-lhe.
 — A minha cruz é pesada demais. Não posso com ela! — respondeu o homem.
 — Ora trá-la, e vem comigo — disse-lhe Nosso Senhor.
 E levou-o ao cemitério das cruzes. Logo à entrada disse-lhe:
 — Pousa aí a tua cruz e vai lá dentro escolher aquela que te pareça mais leve.
 O homem assim fez. Foi pegando numa, noutra e noutra, e, depois de as ter experimentado a todas acabou por pegar de novo da sua, concluindo que afinal ainda era a mais leve. Diz o povo, a propósito, que cada um carrega a cruz que merece.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Antologia de Contos Populares Vol. 1 Lisboa, Plátano Editora, 2001 , p.59

Ano1998

Place of collection Argozelo, VIMIOSO, BRAGANÇA

InformanteMaria Elisa Belchior (F), 46 y.o., Argozelo (VIMIOSO) BRAGANÇA,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications