O Conventinho

APL 3049

Assim é conhecida uma parte da Quinta da Roussada pertencente à Senhora Dona Leonor Pereira Gorjão, viúva do Sr. Coronel Francisco de Carvalho Brito Gorjão. A Quinta da Roussada está no poente da Vila Velha de Mafra e a pequena distância das últimas habitações. No sítio conhecido pelo Conventinho existe uma parede de 5 metros de comprimento por 3 de altura que a voz do povo inculca como começo de construção de um convento para freiras, que D. João V tencionava construir. Ignora-se, porém, a razão porque a construção não foi avante. Resta apenas a tradição e os restos da parede sendo provável que o começo da construção tivesse alguma importância visto perpetuar-se até ao ponto de dar nome de Conventinho ao local escolhido para a edificação. A feira da Ladra esse antigo manancial de antiguidades mais uma vez veio contribuir com uma dádiva mínima na verdade, mas interessante para vir esclarecer mais uma lenda de Mafra. Um amigo teve artes de descobrir um pergaminho com uma carta autógrafa da Rainha D. Maria I determinando a construção de um convento no sítio da Roussada e destinado aos frades menores observantes de Santa Maria da Arrábida. […].
    Qual a razão porque não chegou a concluir-se a construção? A carta tem a data de 2 de Setembro de 1791 e a Rainha adoeceu com um ataque de loucura em 1 de Fevereiro de 1792. Entre a data da carta e o ataque de loucura medeiam cinco meses. Esse pequeno espaço em que a Rainha esteve em tratamento da doença sem cura e que se manifestou bem visivelmente por ocasião do embarque para o Brasil em Novembro de 1807 foi o suficiente para abandonar a ideia da construção do convento.
    Tão solícita fora em promover melhoramentos para o seu País, depois do ataque de loucura a sua influência nesse sentido desapareceu.
    […]
    A obra do Convento na Roussada filia-se talvez nas relações da Rainha com a casa Ponte de Lima na Vila Velha que ela frequentava. Lembranças talvez do Marquês para ter o convento próximo da sua casa. Os Cónegos Regrantes vieram habitar o Convento justamente quando a Rainha ordenou a construção na Roussada, em 1791, e talvez o Marquês não simpatizasse com os cónegos. Os Conventos tinham também a sua política.

(Dr. Carlos Galrão, Lendas de Mafra, in Boletim da Junta de Província da Estremadura, s. 2. n. 17, Jan.-Abr. 1948, p. 80-81).

Fonte Biblio CAETANO, Amélia "Lendário Mafrense" in Boletim Cultural '93 Mafra, Câmara Municipal de Mafra, 1994 , p.261-262

Place of collection-, MAFRA, LISBOA

ColectorCarlos Galrão (M)

Narrativa

When XVIII Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications