O diabo às costas

APL 3103

O tio Nestor tinha uma quinta na Ribeira. Tinha lá um grande olival, tinha lá uns lagares grandes e uns tonéis grandes. E se lhe apetecesse de à noite ir beber um copo, ia daqui lá, que é mais de uma hora de caminho, é quase ao redor do rio, no Amieiro... beber um copo.
Uma noite lá foi. Então de madrugada, vinha p’ra cima, de beber o copo e de ver os tonéis e o armazém... e, quando chegou ao alto da Eira da Lousa, viu ali um cabrito às soltas, e disse:
— Ó rais parta! Eu vou-te agarrar!
E um corre p’ra aqui, outro corre p’ra ali.., agarrou o cabrito e pôs-lhe as patas aqui à volta do pescoço e lá veu com ele. Ele disse que lhe pesava muito, mas veu andando, veu andando... ó rais parta!
Quanto chegou aqui perto, já em vista do povo, ali no alto da Ferdoira, o cabrito deu um pulo e disse-lhe:
— Olha, agora vai-te gabar que trouxestes o diabo às costas deste a Eira da Lousa até aqui! E nunca mais o viu.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010 , p.203

Ano2004

Place of collection Pombal, CARRAZEDA DE ANSIÃES, BRAGANÇA

InformanteMaria Florinda Lopes (F), 73 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications