O diabo pastor

APL 1009

Na aldeia de São Julião, havia uma casa onde morava sozinha uma senhora de idade. Todas as noites aparecia à porta de sua casa um rebanho de ovelhas e carneiros.
A senhora perguntava-se de onde vinham e para onde iam aqueles animais que não pertenciam a ninguém.
Um dia resolveu pedir conselho ao padre da freguesia. O padre disse-lhe:
– Isso é tudo fruto da sua imaginação. Vá-se embora e não pense mais nisso.
A senhora assim fez. Mas uma noite, enquanto fiava à lareira, ouviu bater à porta. Pensando ser uma vizinha, mandou entrar.
– Entre!
Do lado de fora responderam-lhe:
– Mas não entro!
Então a senhora, intrigada e farta daquele mistério, disse:
– Hás-de dizer-me quem és.
Entretanto, quem era entrou e respondeu:
– Eu sou o diabo maior dos infernos e estes são os meus diabos mais pequenos − disse ele apontando para as ovelhas e carneiros que ficaram à porta.
A partir dessa noite, o diabo não largou a casa da senhora.
Na aldeia, ainda hoje, quando se ouve bater à porta, nunca se manda entrar, pois diz-se que pode ser o diabo. Pergunta-se primeiro quem é.

Fonte Biblio AA. VV., - Literatura Portuguesa de Tradição Oral s/l, Projecto Vercial - Univ. Trás -os-Montes e Alto Douro, 2003 , p.HD14

Ano2000

Place of collection Penafiel, PENAFIEL, PORTO

ColectorDirce Soares (F)

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications