O Joaquim Lobisomem

APL 2371

Havia um homem  na armação, que á sexta-feira, a partir da meia-noite, se ouvia correr pela calçada. Exactamente como se fosse um cavalo com ferraduras pela calçada (pois na armação havia uma parte de calçada e depois é que estava a areia). Aquilo acontecia sempre a partir da meia-noite. As pessoas começaram a ouvir dizer e começaram a espreitar nas portas de postigo para ver. Passava uma hora ou duas e sossegava. Os homens começaram a descobrir que ele era um lobisomem porque ele tinha calos nas mãos como as patas dos burros, por andar fazendo aquilo de noite. Mas houve um homem da armação muito corajoso que uma noite foi espreitá-lo e apanhou-o. Tirou-lhe a roupa e assim quebrou–lhe a sina. Porque eles (os lobisomens) despem a roupa e transformam-se em cães, burros ou gatos, e depois quando passa aquelas horas vão-se vestir e se alguém lhes apanhar a roupa ou lhes fizer sangue quebra-lhes a sina. Naquele momento eles voltam-se ás pessoas, não gostam que lhes façam aquilo (quebrar a sina), mas depois ficam satisfeitos.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2007

Place of collection Tavira (Santiago), TAVIRA, FARO

ColectorRui Venâncio (M)

InformanteMaria João (F), 78 y.o., born at Tavira (Santiago) (TAVIRA) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaConvinced Belief

Classifications