“O lobisomem”

APL 1763

“O homem disse para a mulher:
- Não vás à fonte!
Queria amassar, queria cozer o pão... Ao depois disse-lhe:
 - Não vás à fonte!
 - Ora, porque é que não vou à fonte?
O homem abalou. A mulher deixou abalar o homem, foi à fonte. No caminho encontrou-a, esfangandou-lhe o xale todo; partiu-lhe o cântaro... e ao depois foi para casa, toda amargurada.
 - Então o que é que tiveste? – o homem foi e disse – Que é que tiveste?
 - Ah! Que é que havia de ser! Esfandangaram-me toda, tirarem... – ao depois a mulher, viu-lhe o... os farfalhos do... do xalenos dentes. Ao depois ela disse assim:
 - oh! Foste tu tu! Trazes o farfalho nos dentes!
- eu é que fui?
- Foste tu!
E ao depois ele disse:
- pois fui. Olha que tu tiras-me este fado.
- então mas como é que o hei-de tirar?
- como é que mo hás-de tirar? Pões-te, numa parece qualquer, de noite eu vou a passar – eu sou, traseiro – agarras numa aguilhada dás-me uma chuçada – fazes-me sangue! Porque se me não fizeres sangue, então mato-te! Tiro-te do mundo!
Ela agarrou na aguilhada, foi deu-lhe a chuçada, fez-lhe sangue, logo ficou. Pronto! Tirou-lhe o fado, de ser lobisomem”.

Fonte Biblio CARVALHO, Maria Filomena de Andrade Saraiva de Linguagem e Folclore do Concelho da Mêda n/a, n/a, , p.123-127

Place of collection Barreira, MÊDA, GUARDA

InformanteEtelvina Azaveda (F), 50 y.o., Barreira (MÊDA) GUARDA,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications

TypesChristiansen 4005 The Werewolf Husband