O lobisomem da Azenha das Amoreiras

APL 3173

Havia no lugar da Longra [Ribeirinha, freguesia de Vilas Boas] uma azenha, onde se ia moer o pão. Chama-se a “Azenha das Amoreiras”, por ter lá muitas amoreiras pretas e brancas. Dava passagem para a Ribeirinha de barco de Inverno e de Verão por um açude, ou passava-se a vau. Dava passagem para os dois lados.
Ora, dizem os antigos, que debaixo de uma das grandes amoreiras encontrava-se a mulher e o seu marido, e este dizia que estava muito cansado. A mulher dizia-lhe:
— Deves ir ao médico!
Isto ia-se repetindo a cada dia e ele fez-lhe esta pergunta:
— Queres curar-me?
A mulher disse que sim.
Ele então disse:
— Eu sou um lobisomem. Para me tirares o fado, tens de ter muita coragem.
Ela respondeu que lhe ensinasse o que teria que fazer. E ele falou:
— Aguço-te uma agulha que era de picar os bois e vais para cima da amoreira que é para passar no vau e, quando sentires um cavalo na outra margem pôr as patas na água, lança logo a agulha para me picares e eu ficarei curado. Se não acertares, dobras-me o fado.
A mulher fez o que lhe disse. Quando ouviu do outro lado o cavalo, lançou a agulha. Só o apanhou na anca e assim lhe tirou o fado, que era ter de correr sete freguesias.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010 , p.292

Ano2004

Place of collection Vilas Boas, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteAugusta de Jesus Valentim (F), 71 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications