O lobisomem de Vilas Boas

APL 3168

Havia um homem que tinha esse fado em Vilas Boas. Nesses dias, ele desaparecia, pois tinha de correr as sete freguesias. E foi a própria mulher quem lhe tirou o fado com uma aguilhada.
Foi na rua dos Sotos, onde há um cruzamento de caminhos e onde, a altas horas da noite, costumava passar uma fila de cavalos. Iam todos a correr o fado. Então esse tal de Vilas Boas avisou a mulher:
— Olha que eu sou o último da fila. Não te enganes. E espeta-me bem, se não eu mato-te a ti.
Queria ele dizer que, se não conseguisse fazer-lhe sangue ao espetar-lhe a aguilhada, não lhe tirava o fado e ele voltava-se contra ela. Claro que ela foi lá com os olhos bem arregalados. E salvou o marido. Foi o que sempre ouvi dizer na povoação.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2010 , p.287

Ano2010

Place of collection Vilas Boas, VILA FLOR, BRAGANÇA

InformanteMaria Luisa Morais (F), 80 y.o.,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications