O menino dos olhos grandes

APL 2119

A lenda é assim: os pescadores iam para o mar de noite, conforme a hora da maré, não é? E como ainda hoje vão. E ouviam chorar, chorar, chorar, e não sabiam, o que era, mas aquele choro era tão aflitivo, tão aflitivo, que eles procuravam e encontravam um menino pequenino que pensavam que estava perdido, que estava perdido…
 E então como estava na hora, no horário de embarcar, não podiam levar a criança a casa e voltar atrás e acabavam por levá-lo para o mar, não é verdade?
E então pegavam nele e à medida que iam andando o menino ia pesando. Quando pegavam, no menino era muito levezinho, e à medida que iam caminhando com ele ao colo… Isto vinham pessoas do campo, e tudo, que eram pescadores q’iam para o mar. À medida que andavam ele, o menino ia-se tornando muito pesado, como chumbo, e quando olhavam para a cara, os olhos iam crescendo, crescendo, crescendo e chamaram-lhe o menino dos olhos grandes. E então, acho que era um mourinho encantado e que precisava que eles lhe levassem a qualquer certo e determinado sítio que eu desconheço mas, eles que assustavam-se de tal maneira com o peso do mourinho que o jogavam fora. E então, quando o miúdo, quando o atiravam fora dava um grande estoiro e desaparecia. E foi assim que eu ouvi contar, não sei de outra maneira.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2001

Place of collection Olhão, OLHÃO, FARO

ColectorLiliana Silva (F)

InformanteMaria Susana Rio Eusébio (F), 65 y.o., born at Olhão (OLHÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications