O Menino dos Olhos Grandes

APL 1785

A minha sogra chamava-se Maria Gertrudes, a mulher do Tio Leandro aguadeiro. A “gente morávamos” no Largo da Feira, isto havia aí uns cinquenta anos, toda a gente conhecia o Tio Leandro aguadeiro, porque era o mais antigo aqui de Olhão. Um dia a minha sogra foi lavar roupa ao ribeiro de Bela Mandil, mesmo aqui à saída quando vamos para Faro, onde há as bombas de gasolina, lá mais à frente há um canavial e “onde é que é a ribeira” que estará seca hoje, levava água todo o ano, eu mais o meu marido íamos lá pescar “Eró”de água doce e minha sogra vinha já quase sol posto para casa, cheia de roupa à cabeça e não vinha sozinha, mas estou desconfiada que os outros não chegaram a ver, mas veio-me contar isto, é do meu tempo.
 Chegou a casa e disse:
 Então não sabes o que aconteceu?
 Veio de lá um moço que se pôs a empurrar-me, carregar-me na barriga e a dizer para trás, mas diz que não foi uma só vez, já muitas vezes saíu de umas laranjeiras e empurrava-a, até que ela disse:
 Este filho do diabo, deixa-me da mão, tão zangada que se viu, e ele desapareceu e ela veio para casa, com licença, cheia de “cagaço”.
 Ela desconfiava de que era o “Menino dos Olhos Grandes”.

Fonte Biblio AA. VV., - Tradição Popular Algarvia Faro, Direcção Geral de Educação de Adultos, s/d , p.Lendas

Place of collection Olhão, OLHÃO, FARO

InformanteErcília do Carmo (F), Olhão (OLHÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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