O oficial da marinha

APL 2397

Contam que na rua 18 de Junho, há ali umas casinhas baixinhas, e havia um casal, que o marido ia para o mar e a rapariga ouvia cair as vasilhas e barulho na sua casa e então o marido ia para o mar e depois chegou a um altura, depois de tachos caírem e o fogão apagar-se, que ela viu, era um oficial da marinha, um oficial todo fardado. Ela tinha a sensação que quando se deitava com o marido que sentia uma coisa ao lado mas nessa altura não tinha poder para ver quem era. Ora então o marido ia para o mar, creio que o marido andava embarcado e aparecia-lhe então [à rapariga], depois de fazer muitas judiarias, tornou-se visível, um oficial da marinha. Diz-se que era um rapaz muito perfeito, muito lindo que falava com ela e dava-lhe dinheiro, deitava-se com ela pois o marido dela não estava. As pessoas começaram a falar:
- “Então mas o dinheiro dá para tanto? Então o meu marido vida e ela trabalha na fábrica como nós, para nós o dinheiro não chega mas para ela sim…”
E então lá vem a intriga do povo:
- “Aquilo é amante que ela tem e não nos diz nada!”
E então começaram a espreitar, pelas portas, pelos postigos, mas não viam ninguém. A rapariga saia do trabalho, metia-se em casa e já não saia. Na realidade ele estava lá em casa mas ninguém o via. Resumindo, foram-se passando os anos, ela vivia bem, punha a mesa com comida melhor do que quando era só com o dinheiro do marido e o marido começou a perguntar:
- “Mas onde é que tu tens o dinheiro para comprar isto e aquilo? O meu dinheiro não dava, agora já dá!”
O marido que já está tão intrigado que a maltrata mas ele [o oficial] dizia-lhe: “Aguenta, porque ele nunca saberá quem eu sou e nunca haverá provas que tu tenhas amantes. Portanto se aguentares és recompensada!”, o marido dava-lhe pancada, espreitava-a de toda a maneira e feitio e ele [o oficial] deitado ao lado dela, contava a minha sogra, mais tarde, já depois de ela ser velha [a rapariga], depois de ter conseguido libertar o rapaz do encantamento. Nunca disse ao marido o que era, aguentou que o marido a maltratasse, ele deixou-a mas ela manteve sempre a promessa pois ela gostava do rapaz porque não a maltratava e cumpria sempre com o que prometia.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,

Ano2008

Place of collection Olhão, OLHÃO, FARO

ColectorNadine Pescada (F)

InformanteMarcelina Machado (F), 69 y.o., born at Olhão (OLHÃO) FARO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications