[O que quebrou o fado da namorada]

APL 1852

 Havia um rapaz que andava a namorar com uma rapariga. Andava a namorar com uma rapariga e a rapariga disse:
 - Olha que sabes para que casar olha que eu tenho este fado, sou bruxa. Sou bruxa, tenho este fado. E vai assim:
 - E não se pode tirar esse fado?
 - Pode, pode… mas tu não és capaz… não és capaz, não tens a coragem para fazer uma coisa dessas.
 - Faço.
 - Pois olha, tu vais para a encruzilhada para tal parte que a gente temos uma presa todas a banhar-se e tu vais para aquela encruzilhada. Levas uma vara com um aguilhão bem afiado e eu sou a que vou atrás de todos. Aquilo passa, o lobisomem vai à frente, aquilo faz um vento enorme mas eu já vou atrás de todos, tu fazes um sinsaimão e não sais do sinsaimão; e tens que me puxar logo imediatamente pr’ó sinsaimão porque senão o lobisomem dá cabo de ti.
 Assim foi, ele foi para aquela encruzilhada, começa a vir aquele barulho, úuuuu. E o lobisomem à frente úuuuuuu. E ele estava dentro do sinsaimão com a vara bem afiada, com o aguilhão, e ela era a última: vumba! espetou e vumba, puxou para o sinsaimão…
Ora, veio o lobisomem ter com ele… veio caminho… faltou-lhe aquela… aquela companheira… veio, começou a insultar: “meu este, meu aquele; meu assim, meu assado”
 - Sai do sinsaimão, sai do sinsaimão! Mas ele não saía do sinsaimão, porque se ele saísse do sinsaimão, o lobisomem botava-lhe o caminho engatado.
 E acabou: casou-se a rapariga com o rapaz e ele tirou-lhe o coiso de ser bruxa.

Fonte Biblio AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a, , p.TSM, Cd 8, faixa 3

Ano2005

Place of collection Pinheiro Da Bemposta, OLIVEIRA DE AZEMÉIS, AVEIRO

ColectorAntónio Fontinha (M)

InformanteManuel Rosa de Assunção (M), born at Pinheiro Da Bemposta (OLIVEIRA DE AZEMÉIS) AVEIRO,

Narrativa

When XX Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications