[O rapaz e os lobos]

APL 768

Na aldeia [de Sendim] morava um rapaz camponês, forte e destemido, que namorava uma moça no lugar de Vale de Penela, a qual visitava todos os domingos, regressando a casa sempre altas horas da noite. Após um dia de pleno inverno, cai a noite sobre a serra, escura e chuvosa. Os pais da rapariga e seus futuros sogros alertaram o rapaz para os perigos que uma noite medonha como aquela podiam trazer a quem se aventurasse a enfrentá-la, suplicando-lhe que dormisse lá.
 O moço, valente e corajoso, desvalorizou os receios dos pais da sua amada e deitou-se ao caminho. Qual não foi o seu espanto, logo após atravessar o rio Távora, ao receber a visita de uma vasta alcateia de lobos que o seguiram de perto, sempre rosnando e ameaçando investir contra ele. Consciente do risco iminente, lembrou-se então do conselho que não tomara e agora era tarde demais para se arrepender. Já com o povo à vista, próximo da Corredoura, o malogrado rapaz foi devorado pelas feras sanguinárias e famintas.
 Os pais não se aperceberam da sua chegada a casa, e logo de manhã bem cedo foram ver se estava na cama. Ao certificarem-se de que não dormira lá, foram à sua procura; mas, do desditoso rapaz, apenas encontraram os pés dentro das botas, a roupa esfrangalhada e nada mais.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro - Narrações Orais (contos, lendas, mitos) Vol. 1 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2007 , p.171

Ano2004

Place of collection Sendim, TABUAÇO, VISEU

InformanteIlídio Coelho (M),

Narrativa

When XXI Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

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