O Senhor dos Milagres e a Senhora da Aparecida

APL 3520

Um pastor, em tempos antigos, andava a fazer uma escultura de madeira com aspecto de um santo. O seu patrão, que era maçónico, ao ver aquilo obrigou-o a deitar fora a imagem, pelo que o pastor a colocou rio abaixo, receando que aquilo o matasse; e disse àquela imagem de cerca de um metro e meio de altura e à qual ainda faltava um braço: «Vai para onde te estimem mais do que aqui, que o teu braço lá te irá ter». A imagem lá desceu pelo rio até ancorar num lugar que, por isso, passou a chamar-se «Santinho». Quem a viu, reparando que tinha o aspecto de Deus e estava bem feita, levou-a para casa, mas o santo ia aparecer no rio. Fizeram-lhe depois uma capela — «do Santinho» — para o colocar, mas o santo continuava a ir aparecer no rio.
    Numa dessas ocasiões, apareceu uma outra imagem num toco de uma oliveira, a qual, sendo levada para casa dos habitantes, também fugia e ia aparecer sempre no seu local de origem: o toco da oliveira.
    Foi então que certa mulher do Santinho, andando à lenha, levou para casa um toco de madeira com aspecto de braço, que deitou ao lume. Este, com grande espanto seu, saltava sempre do lume e não ardia, o que a levou a contar ao padre o sucedido. Este, conhecedor do que já tinha acontecido com as outras imagens, logo pensou que deveria ser o braço do santo — Senhor dos Milagres — e tentou aplicá-lo à imagem. E, espanto dos espantos, depois de muitos braços propositadamente feitos para a imagem, e que não lhe tinham assentado bem, este assentou-lhe como uma luva.
    Foi então que os habitantes de Penajóia juntaram as duas imagens, a do Senhor dos Milagres e da Senhora da Aparecida, numa só capela, a de São Gião — hoje Capela de Nossa Senhora da Encarnação — e nunca mais de lá saíram.

Fonte Biblio FRAZÃO, Fernanda Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano Lisboa, Apenas Livros, 2006 , p.138-139

Place of collection Penajóia, LAMEGO, VISEU

Narrativa

When

CrençaUnsure / Uncommitted

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