O tropejar de um cavalo

APL 786

A propósito de lobisomens, havia antigamente um homem que morava onde hoje é a rua dos Quintais, aqui em Tabuaço, e que era um grande trabalhador. Mas de noite, a altas horas, levantava-se e ia correr as encruzilhadas.
 De manhã, ele próprio não se lembrava de nada, pois era a lei do pecado a chamá-lo durante a noite. Ninguém o via sair, mas ouvia-se o tropejar de um cavalo: trop, trop, trop. E àquela hora, o que podia ser? Só coisa do pecado.
 Até que, numa ocasião, houve um homem com mais coragem, e que era o sr. Secundino, e que, ao sentir sair aquele cavalo, foi-se a ele e picou-o bem picado. Isto deu-se ali, onde andam a compor a casa do senhor padre.
 E não é que, ao ser picado, em vez do cavalo quem apareceu foi esse tal infeliz? A partir daí, tornou-se uma pessoa normal. E trabalhador como poucos.

Fonte Biblio PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro - Narrações Orais (contos, lendas, mitos) Vol. 1 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2007 , p.198

Ano2007

Place of collection Tabuaço, TABUAÇO, VISEU

ColectorAlexandre Parafita (M)

InformanteMaria da Purificação Fernandes Ferreira (F), 76 y.o.,

Narrativa

When XXI Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications