Os “Mistérios”

APL 1410

No início do povoamento dos Açores, muitos vulcões rebentaram e a feição das ilhas alterava-se.
 Quando um desses vulcões rebentou, lançando lava efervescente, as casas, as culturas e as populações foram ameaçadas. As terras produtivas e verdejantes das redondezas da freguesia do Capelo foram queimadas por grandes labaredas.
 As pessoas ficaram amedrontadas perante a força da natureza tão superior à sua. Impotentes e não podendo compreender nem explicar o que se passava, choravam os bens perdidos, as vidas ameaçadas e lamentavam-se, gritando:
 — Que Mistério! É um mistério da Santíssima Trindade!
 Entretanto o vulcão continuava a sua devastação até que por fim se acalmou. Mas as terras ficaram para sempre marcadas na sua constituição pela força do fogo e os lamentos das pessoas parecem perpetuar-se no nome desses terrenos que continuam a gritar Mistério.
 São terrenos áridos, onde a terra produtiva quase não aparece, dando lugar a uma rocha queimada, avermelhada, leve e que quebra facilmente. Nos Mistérios vê-se a força demoníaca do fogo, que ainda parece vivo na cor das rochas.
 Antes de chegarmos ao Capelo lá estão os Mistérios, terrenos sem casas, mas agora já cobertos por algumas árvores, principalmente criptomérias, cujas raízes conseguem penetrar através da pedra queimada.

Fonte Biblio FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.257

Place of collection Capelo, HORTA, ILHA DO FAIAL (AÇORES)

Narrativa

When XV Century,

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications