“Passas para lá, mas não passas para cá…”

APL 847

Na aldeia da Mó havia um casal feliz cuja esposa, ainda jovem, estava no fim do tempo da gravidez. Uma noite sentiu sinais de parto, preveniu o marido e este, pela uma hora da madrugada, saiu de casa em direcção ao Pucariço para avisar a sogra para que lá fosse ter de manhã. Ao passar por uma barroca, num lugar onde havia um terreiro com uma oliveira, o rapaz ouviu uma voz que dizia:
 — Passas para lá, mas não passas para cá... Ao chegar ao Pucariço contou à sogra o que tinha ouvido e ela insistiu para que ele lá ficasse o resto da noite e iriam então os dois, quando fosse de dia. Ele teimou em voltar, porque estava em cuidados com a mulher e não tinha medo. No outro dia, como ele não tivesse aparecido em casa, foram procurá-lo e encontraram-no morto junto da tal oliveira à volta da qual deve ter andado até morrer, porque se viam os rastos dele. Via-se que qualquer coisa que estava na oliveira o impedia de sair daquele lugar.

Fonte Biblio VILHENA, M. Assunção Gentes da Beira Baixa Lisboa, Colibri, 1995 , p.106-107

Place of collection-, PROENÇA-A-NOVA, CASTELO BRANCO

InformanteDeolinda Bárbara dos Santos (F), 72 y.o., - (PROENÇA-A-NOVA) CASTELO BRANCO,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications