Quinta do Relógio

APL 182

Tomás Maria Bessone, nobilitado com o título de visconde de Bessone, foi um destacado comerciante de Lisboa que granjeou grande fortuna. De harmonia com a sua condição e recursos, mandou edifcar, em Paço de Arcos, na parcela da quinta da Terrugem que adquiriu, sobranceiro ao Tejo, num quadro edénico, um atraente palácio, cuja construção decorreu entre 1856 e 1860. Na mata anexa, implantou uma proeminente torre, onde instalou um relógio, com vincada presença, “melhoramento este que foi […] saudado festivamente quando […] inaugurado”.
 Mas, em relação ao celebrado relógio, depressa se instalou o temor. É que se verificou que a máquina aferidora do tempo detinha “o poder fatal de sincronizar as suas paragens com acontecimentos funestos para os senhores da quinta”. E é certo que a partir de 1863, data do início do processo de falência que atingiu o futuro visconde de Bessone (1870), foram “inúmeros [os] desgostos, desenganos e trabalhos, que o acompanharam”. Forçado, pela progressiva ruína dos negócios, a desfazer-se do património, vendeu este palácio em 1874 a Justus Horace Perry, diplomata norte-americano, que também, logo a seguir, fracassa num empreendimento que o coloca em má situação financeira e aqui veio a falecer em 1891.
 Conta-se que os proprietários da quinta do Relógio dispensavam extremos cuidados na escolha de bons relojoeiros e na aquisição dos melhores óleos… não fosse o relógio parar. Até que - definitivo remédio - desapareceram os ponteiros e a máquina parou…

Fonte Biblio MIRANDA, Jorge Viagem pelas Lendas do Concelho de Oeiras Oeiras, Câmara Municipal de Oeiras, 1998 , p.24

Place of collection Paço De Arcos, OEIRAS, LISBOA

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications