Regresso a casa

APL 1734

Havia um vizinho meu, isto há sessenta, setenta anos, em que era caçador.
E no meio de mimosas bastante espessas, ele viu lá um pássaro e apontou a arma e aquele pássaro falou, disse:
- Não atires, porque eu sou uma pessoa que tu não conheces.
Então, tu vais levar a coisa que tu tens de mais estimação neste mundo?
Vais ter lá em baixo à regada.
E ele falou com um indivíduo (diziam qu’ele era bruxo e tal…) e disse assim:
- Então tu vai, vai, escolhe o que tens mais sagrada p’ra ti, é a tua filha. Lebas a tua filha.
Mas ele não combencido com aquilo e veio falar com o padre, qu’era um padre que existia aqui, já morreu, que foi fundador da banda filarmónica de Mateus.
E então ele disse:
- Olha, vai e levas a tua filha, fazer ó sino sem mão nesse cruzamento, onde ele te mandou estar e não te vai acontecer mal nenhum.
Quando ele chegou lá, pôs-se no meio do sino sem mão e com a criança ao colo, sentiu assim um vulto enorme e o vulto disse p’ra ele:
- Fostes bem ensinado!
 E por aquela ribeira abaixo estava o milho alto em Maio ou Junho e parecia que o milho desaparecia todo, um barulho, uma coisa enternecedora, uma coisa só visto.
Foram a ver, depois, ó outro dia, ele veio, nem uma espiga caiu no chão.
O homem adoeceu de tal maneira, foi pr’á cama e nunca mais se lebantou e morreu desse susto.

Fonte Biblio AA. VV., - Literatura da tradição oral do concelho de Vila Real s/l, UTAD / Centro de Estudos de Letras (Projecto: Estudos de Produção Literária Transmontano-duriense),

Place of collection Mateus, VILA REAL, VILA REAL

InformanteDomingos José Portelinha Gomes de Moura (M), 80 y.o., Mateus (VILA REAL) VILA REAL,

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications