Um jantar para o diabo

APL 1157

Em tempos antigos no Carvalhal dos Ramalhos andava um homem a debulhar o trigo numa eira. Quando o trigo estava debulhado, quase à tardinha o homem queria limpar o trigo, mas não havia vento para ele o limpar.
 Então o homem disse o seguinte: “Diabo mande vento para limpar o trigo que eu dou-lhe um jantar”. E então de repente, começou a fazer vento e o homem limpou o trigo. Passados anos o homem morreu e não deu o jantar ao Diabo.
 A alma dele veio ter com a mulher para ela fazer o jantar e ir levá-lo à meia-noite a um cruzamento. Mas tinha de levar colher, garfo, pão, uma garrafa de vinho e uma moeda, chegar ao cruzamento pôr a mesa no chão, mas completa com pão vinho e tudo.
 Os antigos contavam que o jantar era: umas batatas guisadas com carne. Que à meia-noite, o Diabo, passava por ali a comer o que o homem lhe havia prometido.
 Uma vizinha dos meus avós do Carvalhal é que foi fazer o jantar para a mulher desse homem que tinha prometido o jantar ao Diabo (foi colocado no cruzamento, mas tinha de ser à meia-noite).
 A minha mãe é que me contou isto que ouviu daquelas pessoas antigas.
 Aquelas pessoas contavam que no dia seguinte de madrugada a mulher daquele homem foi buscar o tacho que parecia estar lavado assim como o resto das coisas, mas a moeda não estava lá tinha-a levado o Diabo.

Fonte Biblio MOURA, José Carlos Duarte Histórias e Superstições na Beira Baixa Castelo Branco, RVJ editores, 2008 , p.15

Place of collection Castelo, SERTÃ, CASTELO BRANCO

Narrativa

When XX Century, 90s

CrençaUnsure / Uncommitted

Classifications