Uma marca na orelha

APL 37

Ouvi dizer que cortaram o encanto a um rapaz, lobisomem, que se ia casar e precisava acabar com aquele problema de ir à noite ao “fado”:
Pediu a um homem que o esperasse junto a uma casa velha que tinha um buraco e, quando ali passasse, por volta da meia-noite, um cavalo ou burro, lhe espetasse uma aguilhada. É que ele não sabia ao certo a forma em que viria, porque umas vezes se transformava em cavalo e outras em burro. Disse-lhe também que não tivesse medo porque havia de vir a dar muitos coices e a fazer muito barulho.
 Na dita hora, quando o cavalo passou a resfolegar, o homem espetou-lhe a aguilhada e apareceu o rapaz completamente nu, Tinha ali a roupa preparada, vestiu-se e assim acabou o fado dele. Ainda hoje se conhece na orelha do rapaz a marca da picadela que levou.

Fonte Biblio CAMPOS, Beatriz C. D. Tarouca, Folclore e Linguística Tarouca, Câmara Municipal de Tarouca / Escola Preparatória de Tarouca, 1985 , p.31

Place of collection-, TAROUCA, VISEU

InformanteDeolinda de Jesus Santos (F), Ucanha (TAROUCA) VISEU,

Narrativa

When XX Century, 80s

CrençaSome Belief

Classifications